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Detector de Voz Passiva em Português
Cole seu texto e veja cada construção passiva marcada, junto com as frases longas e as estatísticas do texto — tudo processado no seu navegador, sem enviar nada a servidor algum.
O que é a voz passiva
A voz passiva existe ao lado da voz ativa como duas maneiras de contar a mesma coisa. Na voz ativa, o sujeito pratica a ação: “o engenheiro construiu a ponte”. Na voz passiva, o sujeito sofre a ação, e quem a praticou vira um complemento opcional, introduzido por “por”: “a ponte foi construída (pelo engenheiro)”. Saber identificar voz passiva num texto é útil porque ela desloca o centro da frase — de quem age para o que é afetado — e isso muda o que o leitor nota primeiro.
Em português, a voz passiva aparece de duas formas bem diferentes, e é comum confundi-las. A voz passiva analítica usa o verbo ser (é, são, foi, foram, será, sendo, sido...) seguido de um particípio que concorda em gênero e número com o sujeito: “as casas foram vendidas”, “o relatório é revisado”. A passiva sintética, ou pronominal, faz o mesmo trabalho com o verbo na ativa mais o pronome “se”: “vendem-se casas”, “construiu-se a ponte”. As duas se traduzem da mesma forma para o inglês, mas têm estruturas de superfície completamente diferentes — e essa diferença é exatamente o que determina o que esta ferramenta consegue enxergar, como a seção mais abaixo explica em detalhe.
Como usar o detector de voz passiva
- Cole seu texto cole ou digite no campo de texto; as estatísticas e as listas são recalculadas a cada tecla digitada, sem precisar clicar em nada.
- Ajuste o limite de frase longa um controle deslizante define a partir de quantas palavras uma frase conta como longa — o padrão é 25, mas você pode apertar ou afrouxar o critério conforme o gênero do texto.
- Leia os números e as listas veja quantas frases o texto tem, que fração contém uma passiva, quantas são longas, o tamanho médio e a mais longa — e logo abaixo, a lista de cada construção passiva encontrada (com o trecho exato e se um agente foi nomeado) e a lista de frases longas com sua contagem de palavras.
Quando a voz passiva é a escolha certa
Quase toda ferramenta de revisão trata a voz passiva como demérito, mas isso é um conselho de estilo genérico, aplicado sem olhar para o que a frase precisa comunicar. A passiva é a escolha certa quando quem praticou a ação é desconhecido (“a carta foi extraviada”), irrelevante para o que se quer dizer (“o prédio foi tombado em 1987”), óbvio pelo contexto (“o réu foi condenado”), ou quando o próprio escritor quer que o que sofreu a ação — não quem a praticou — seja o assunto da frase. Um texto científico que descreve “a amostra foi centrifugada a 3000 rpm” não está escondendo por descuido quem operou a centrífuga; está corretamente colocando o procedimento, e não o operador, no centro da frase.
É por isso que o português jurídico, científico e jornalístico usa a passiva com fartura e de propósito, e a redação acadêmica brasileira em particular se apoia nela por convenção — um artigo que dissesse sistematicamente “nós fizemos” em vez de “foi realizado” soaria estranho na maioria das áreas. Esta ferramenta conta as construções passivas e mostra exatamente onde elas estão; decidir quais valem a pena reescrever na ativa é julgamento de quem escreve, não um veredito automático.
O que a ferramenta detecta e o que ela deixa passar
O detector procura a voz passiva analítica: uma forma do verbo ser (é, são, era, eram, foi, foram, será, serão, sido, sendo) seguida de um particípio que concorda em gênero e número com o sujeito — construído, construída, construídos, construídas, e assim por diante para qualquer verbo regular. Particípios irregulares recebem tratamento à parte, porque não seguem o padrão -ado/-ido: feito, dito, visto, posto, escrito, aberto, coberto, ganho, pago, gasto e todas as suas formas flexionadas em gênero e número são reconhecidos individualmente. Verbos cujo radical termina em vogal levam a terminação acentuada do particípio — construir dá construído, ler dá lido — e a ferramenta cobre as duas famílias.
A limitação mais importante desta ferramenta é que ela não detecta a voz passiva sintética, também chamada de pronominal — “vendem-se casas”, “construiu-se a ponte”. Essa omissão é proposital, não um esquecimento. Separar uma passiva sintética de um verbo reflexivo (“lava-se”, a pessoa lava a si mesma), de uma construção impessoal (“vive-se bem aqui”) e de um verbo essencialmente pronominal (“arrependeu-se”) exige análise sintática de verdade — saber se o verbo é transitivo, se há um sujeito paciente implícito, se o “se” é índice de indeterminação do sujeito ou partícula apassivadora. Uma heurística de ortografia que simplesmente procurasse verbo mais “se” sinalizaria como passiva uma quantidade enorme de português comum e correto. Preferimos deixar essa lacuna explícita a entregar um detector barulhento que erra sistematicamente; para confirmar uma passiva sintética, o teste da gramática escolar continua valendo: tente passar a frase para a ativa com um sujeito plausível (“alguém vende casas”) — se funcionar e o verbo for transitivo, é sintética.
Há uma ambiguidade que nenhum detector resolve sozinho, nem este nem os de outros idiomas. Em inglês, “the window was broken” é genuinamente duas frases diferentes — alguém quebrou a janela, ou ela simplesmente estava no estado de quebrada — e o inglês não tem como marcar essa diferença na superfície. O português tem um recurso que o inglês não tem: os verbos ser e estar. “A porta foi fechada” é passiva, alguém a fechou; “a porta estava fechada” descreve um estado, não uma ação sofrida, mesmo compartilhando o mesmo particípio. Só que isso não elimina a ambiguidade por completo, porque um detector que olha apenas para o particípio, sem entender se a cópula é ser ou uma leitura resultativa de estar, ainda pode confundir as duas. Some a isso um detalhe que todo brasileiro reconhece da escola: alguns verbos têm dois particípios, um regular e um irregular — ganho/ganhado, pago/pagado, aceito/aceitado — e o uso varia entre eles conforme a norma e a região, mais uma fonte de ruído para qualquer heurística baseada em forma.
Quanto confiar numa detecção automática de voz passiva? A versão em inglês desta mesma ferramenta foi testada num conjunto de 54 frases construído à mão, cobrindo cada estrutura de passiva do inglês, e acertou as 54 — 100% de precisão e 100% de cobertura. Rodamos o mesmo conjunto em duas implementações publicadas e usadas por muita gente: o compromise, um marcador de classes gramaticais de verdade, acertou 42 de 54; o write-good, um linter de prosa bastante popular, acertou 43 de 54. Em textos reais, fora do conjunto de teste, as três implementações discordam entre si em cerca de 5% das frases. O número é sobre o inglês, não sobre o português — mas mostra algo que vale para qualquer idioma: detectar a voz passiva por regras é genuinamente difícil, e ferramentas diferentes, inclusive as mais sofisticadas, chegam a respostas diferentes na mesma frase. Por isso cada resultado aqui vem com a citação exata do trecho encontrado: para você conferir, não para aceitar cegamente.
Por que esta ferramenta é grátis
Todo o processamento acontece no seu navegador. O texto que você cola nunca sai da sua máquina, não passa por um servidor e não é enviado para nenhum modelo de linguagem — não há chamada a IA nem custo de infraestrutura por trás desta página, só um conjunto de expressões regulares rodando em JavaScript local. Isso significa que a ferramenta é grátis por construção, não por promoção passageira: não existe conta para criar, marca d’água para remover ou limite diário de uso para esbarrar.